segunda-feira, junho 11, 2007

Incesto

De frente ao banheiro, encontro-te nua, em posição estratégica, pedindo fervorosamente que atravesse tuas curvas numa cópula animalesca. A leveza do toque da gillette em tuas pernas me deixa completamente sem direção, perco a cabeça e cada porcentagem de sanidade é retirada com seu toque suave. O teu corpo pega fogo, numa maré de libido que me pega de relance, e me beija com tesão. Eu corro para o quarto tentando evitar que o pecado se cumpra. Ataco meu corpo com punhetas de um animal encarçerado, prestes a explodir de loucura. Finalmente, depois da chama milagrosa sair em mL's de ternura, lhe vejo colocar a toalha e se preparar para o banho. Apenas mais um condenado psicologicamente, que não sabe a hora certa de parar com esta loucura dos infernos. Meu corpo pede descanso, mas teus longos cabelos negros que recaem por sobre o cóx me instigam a invadir o teu terreno. Fujo de mim mesmo, a possibilidade de tamanha atrocidade contra tua inocência intocada não me levaría junto aos deuses do céu. Passeando pelo campo das negações providas de desejo eterno, sei que já me tornara um condenado a partir do instante em que me toquei pensando em ti. Sangue do meu sangue. Produto do meu clímax. Filha minha. O que se torna certo, neste momento ? Negar as razões e conceder carta branca aos meus desejos mais instintivos, ou simplismente abonimar-me como um louco e fujir deste lugar temoroso ? Dúvidas ressaltam sobre mim. Ereto e suado de tesão. E agora você se despe frente ao espelho. Quinze anos após você se torna uma bela mulher. De pelugem natural e de doce aroma de flores virgens. Intocada pelo pólen venenoso das donzelas do inferno. E agora me vejo por de trás da porta; minha princesinha eterna, eu choro pelo que faço. Venerando ainda tuas ações, lhe vejo tocar-se como se houvesse algo novo com o qual se socializava naquele momento. Foi então que a vi insandecida de perversidade, rapidamente agradar-se com teus dedos pequenos e envoltos de pelugem nova. Uma surpresa, mas um agrado. Sou o pior dos canalhas. E demorando a eternidade para satisfazer-te, resolvi abrir mão de todas as leis que regem este mundo são. Entrei. Com pouca surpresa ela olhou em meus olhos e me convidou ao pecado juvenil. Não me era esperada tal reação. Em minha completa auto-destruição isso não constava nos planos. Porém, doce alternativa me veio então. Começamos, pai e filha, dois animais no mundo da insanidade sexual. Eu, com toda minha experiência a tocava com real sutileza de desejos. Ela gemia vigorosamente, como uma cadela que tinha muito o que ensinar. Esquecemos de todas as verdades que habitavam nosso imaginário ético, naquele momento. Éramos um único ser. A união mais fantástica. Chegando-se ao ápice do incorreto, nos lançamos na água quente da banheira de marfim. Como aquela doce criança de dez anos atrás, relançou-se sobre meus peitos que batiam rapidamente. Levantei-me na hora seguinte, desejoso de pena. Engatilhei o revólver com a única bala que havia em cima da mesa. Alcançei meu momento de maior loucura. Tiro à queima roupa. Filha minha, morta agora. Minha auto-destruição se tornara completa naquele dia. Pelo resto da vida lembranças me foram vendidas pelo preço do tormento, e o que pensava ser a libertação completa, se tornara desde ali o meu pior lamento. Não demorou muito para que, agora, prostrado sob um banco sujo de um sanatório, escrevesse esta carta de despedida. Um beijo para a vida, e um olá para minha redenção.

2 comentários:

Guilherme disse...

Aléssio...largue os poemas,os textos subjetivos,os temas humanistas e sociais o seu forte são os contos Eroticos cara! uahshasuhsa ficou bom pacas!

gm disse...

Guilherme acima sou eu mesmo =p